quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ressonâncias do Natal






Na paisagem fria e sem melhor acolhimento, a única hospedaria à disposição era a gruta modesta onde se guardavam os animais.

Não havia outro lugar que O pudesse receber.

O mundo, repleto de problemas e de vidas inquietas, preocupava-se com os poderosos do momento e reservava distinções apenas para os que se refestelavam no luxo, bem como no prazer.

Aos simples e desataviados sempre se dedicavam a indiferença, o desrespeito, fechando-lhes as portas, dificultando-lhes os passos.

Mas hoje, tudo permanece quase que da mesma forma.

Não obstante, durante aquela noite de céu transparente e estrelado, entre os animais domésticos, em uma pequena baia, usada como berço acolhedor, nasceu Jesus, que transformou a estrebaria num cenário de luzes inapagáveis que prosseguem projetando claridade na noite demorada dos séculos, em quase dois mil anos...

Inaugurando a era da humildade e da renúncia, Jesus elegeu a simplicidade, a fim de ensinar engrandecimento íntimo como condição única para a felicidade real.

O Seu reino, que então se instalou naquela noite de harmonias cósmicas, permanece ensejando oportunidades de redenção a todos quantos se resolvam abrigar nas suas dependências.

E o Seu nascimento modesto continua produzindo ressonâncias históricas, antes jamais previstas.

Homens e mulheres, que tomaram contato com Sua notícia e mensagem, transformaram-se, mudando-se-lhes o roteiro de vida e o comportamento, convertendo-se, a partir de então, em luzeiros que apontam rumos felizes para a Humanidade.

* * *

Guerreiros triunfadores passaram pelo mundo desde aquela época, inumeráveis.

Governantes poderosos estabeleceram reinos e impérios, que pareciam preparados para a eternidade, e ruíram dolorosamente.

Artistas e técnicos, de rara beleza e profundo conhecimento, criaram formas e aparelhagens sofisticadas para tornarem a Terra melhor, e desapareceram.

Ditadores indomáveis e aristocratas incomuns surgiram no proscênio terrestre, envergando posição, orgulho e superioridade, que o túmulo silenciou.

...Estiveram, por algum tempo, deixando suas pegadas fortes, que tornaram alguns odiados, outros rechaçados e sob o desprezo das gerações posteriores.

Jesus, porém, foi diferente.

Incompreendido, o Cantor do Amor aceitou a cruz, para não anuir com o crime, e abraçou a morte para não se mancomunar com os mortos.

Por isso, ressurgiu, em triunfo e grandeza, permanecendo o Ser mais perfeito que jamais esteve na Terra, como modelo que Deus nos ofereceu para Guia.



* * *
Quando a Humanidade experimenta dores superlativas, quando a miséria sócio-econômica assassina milhões de vidas que estertoram ao abandono; quando enfermidades cruéis demonstram a fragilidade orgânica das criaturas; quando a violência enlouquece e mata; quando os tóxicos arruinam largas faixas da juventude mundial, ao lado de outros males que atestam a falência do materialismo, ressurge a figura impoluta de Jesus, convidando à reflexão, ao amor e à paz, enquanto as ressonâncias do Seu Natal falam em silêncio: Ele, que tem salvo vidas incontáveis, pede para que tentes fazer algo, amando e libertando do erro pelo menos uma pessoa.

Lembrando-te d'Ele, na noite de Natal, reparte bondade, insculpe-O no coração e na mente, a fim de que jamais te separes d'Ele.



Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis

Da obra: 'Momentos Enriquecedores' - Divaldo Pereira Franco

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

DIA 04 DE DEZEMBRO DIA DE IANSÃ EPARREI





Iansã é um Orixá feminino muito famoso no Brasil, sendo figura das mais populares entre os mitos da Umbanda e do Candomblé em nossa terra e também na África, onde é predominantemente cultuada sob o nome de Oiá. É um dos Orixás do Candomblé que mais penetrou no sincretismo da Umbanda, talvez por ser o único que se relaciona, na liturgia mais tradicional africana, com os espíritos dos mortos (Eguns), que têm participação ativa na Umbanda, enquanto são afastados e pouco cultuados no Candomblé. Em termos de sincretismo, costuma ser associada à figura católica de Santa Bárbara. Iansã costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, e o senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome da amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, conseqüentemente, da tempestade.
Nas cerimônias da Umbanda e do Candomblé, Iansã, ela surge quando incorporada a seus filhos, como autêntica guerreira, brandindo sua espada, e ao mesmo tempo feliz. Ela sabe amar, e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiantes da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera.
Como a maior parte dos Orixás femininos cultuados inicialmente pelos iorubás, é a divindade de um rio conhecido internacionalmente como rio Níger, ou Oiá, pelos africanos, isso, porém, não deve ser confundido com um domínio sobre a água.
A figura de Iansã sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais do panteão mitológico africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura - enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos.
É extremamente sensual, apaixona-se com freqüência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão.
Foi esposa de Ogum e, posteriormente, a mais importante esposa de Xangô. é irrequieta, autoritária, mas sensual, de temperamento muito forte, dominador e impetuoso. É dona dos movimentos (movimenta todos os Orixás), em algumas casas é também dona do teto da casa, do Ilê.
Iansã é a Senhora dos Eguns (espíritos dos mortos), os quais controla com um rabo de cavalo chamado Eruexim - seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita de rabo de um cavalo atado a um cabo de osso, madeira ou metal.
É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma. Comanda também a falange dos Boiadeiros.
Duas lendas se formaram, a primeira é que Iansã não cortou completamente relação com o ex-esposo e tornou-se sua amante; a segunda lenda garante que Iansã e Ogum, tornaram-se inimigos irreconciliáveis depois da separação.
Iansã é a primeira divindade feminina a surgir nas cerimônias de cultos afro-brasileiros.
Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme. Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase estou apaixonado, tem a presença e a regência de Iansã, que é o orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado no campo amoroso. Iansã rege o amor forte, violento.


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Bolinho de Jesus ?





O acarajé é uma iguaria da culinária baiana e tem sua origem nos barracões de candomblé. O bolinho de feijão-fradinho, frito no azeite de dendê, é uma oferenda à Orixá Iansã. Em Salvador - BA é facilmente encontrado nas ruas, vendido em tabuleiros pelas tradicionais Baianas, com suas roupas brancas, torço (turbante) na cabeça e suas Guias (colares) no pescoço. Essa tradição perdura desde o século XIX. O acarajé começou a ser vendido nas ruas de Salvador pelas escravas, e hoje se tornou o prato mais conhecido e característico da Bahia, e o ofício das baianas do acarajé foi tombado pelo IPHAN, desde 2004, como patrimônio imaterial do Brasil.
Na África, ele chama-se akara, e quando as escravas desfilavam pelas ruas, com os tabuleiros na cabeça, anunciavam akará ajeum. Ajeum significa, em Ioruba, comer. Nós brasileiros juntamos as duas palavras e nasceu o termo acarajé.

Bom o fato é que mesmo com tanta tradição cultural e religiosa envolvida, anda acontecendo algo no mínimo absurdo. Evangélicos produzindo e comercializando o acarajé e chamando-o de Bolinho de Jesus.
Começou quando algumas adeptas do Candomblé se tornaram protestantes, e hoje vários evangélicos se utilizam deste procedimento para ter garantida sua fonte de renda.

Estes, naturalmente, não usam as roupas brancas, nem o torço e nem as guias. Nem mesmo usam os tabuleiros para acomodar os acarajés, fazem de tudo para desassociar o quitute do Candomblé. Ignoram, no sentido de não se importarem, as origens, a história, a tradição e a cultura que envolve o que antes de tudo é uma oferenda, e querem vendê-lo apenas como um alimento qualquer. É que vende bem, muito bem. Então se apropriam indevidamente de uma das mais enraizadas e conhecidas tradições da Bahia e do Brasil, pois quem nunca ouviu falar no famoso acarajé da Bahia?

Fiquei pensando muito nisso, e acabei associando a outro fato semelhante. Todos sabem que sal grosso, arruda, fitinha vermelha, e por ai a fora, são elementos tradicionais dos cultos afro-brasileiros, principalmente da Umbanda, que se popularizaram e foram incorporados na cultura brasileira, assim como o famoso vaso de 7 ervas, ferradura, figa e muitos outros. Pois bem, não é difícil ligarmos a televisão e vermos um pastor evangélico, de roupa branca (tai outra coisa), utilizando alguns destes elementos em seu culto, e ainda denominando isso de “des carrego” (tai mais outra coisa).

É inegável a contribuição do Povo Negro e do Povo de Santo para a construção da identidade cultural do Brasil, mas àqueles que não encaram desta forma devem ao menos não tentar roubar, adaptando de forma grosseira, nossas coisas para as suas coisas.

O acarajé, alem do feijão e do dendê, tem muito sangue e suor dos escravos. Tem muita reza e axé dos barracões de Candomblé. Tem dança e tem ritmo. Tem sonhos de liberdade e sorrisos de esperança.

O acarajé é de Iansã.

O autor, Ricardo Barreira, é presidente do Instituto Sócio Cultural Umbanda Fest.

sábado, 21 de novembro de 2009

Oferendas






O que quer dizer, realmente, fazer ou dar uma oferenda?

Muitos acreditam que os Orixás e as Entidades comem. Nenhum Orixá ou Entidade come as oferendas! Nas reuniões percebemos que as entidades se alimentam, bebem e fumam. Mas devemos nos lembrar que naquele momento elas estão incorporadas no médium e usam aqueles elementos para o trabalho que estão executando naquele momento.

Podemos sempre fazer oferendas?

Não, para isso temos que ter um auxílio de um Pai de Terreiro, que nos orientam sobre a seriedade de uma oferenda, e com certeza a fará com toda responsabilidade e fé.

Como podemos falar sobre o assunto que é um recurso da Umbanda com a seriedade e o respeito devido?

Em uma necessidade o pai de terreiro marca um dia para o filho fazer sua oferenda em lugar apropriado e deitar um pouco de tempo para receber as vibrações destas oferendas. Elas agem como catalisadoras e transmissoras de energia, servindo para fortificar o médium.

A mesma oferenda serve para qualquer pedido, fortalecimento, abertura de caminhos, etc.?

Não, para cada situação existem oferendas apropriadas, por isso a necessidade da assistência do Sacerdote ou Pai de Terreiro, pois ele sabe como e o que fazer.

Devemos colocar oferendas nas ruas, nas encruzilhadas, etc.?

Não. Elas não devem ser colocadas na rua e nem nas encruzilhadas, pois todos os terreiros devem ter um lugar de respeito para que sejam colocadas.

fonte: http://www.casabrancadeoxala.org/conversas%20na%20senzala/oferendas.html

Musicas de Umbanda

MAPA DE COMO CHEGAR A COMUNIDADE DE UMBANDA

Indicação de Livros Umbandistas

Indicação de Livros Umbandistas
Sandro da Costa Mattos

Obrigação a Oxum e Batizado 2009