segunda-feira, 14 de junho de 2010

Atabaques na Umbanda



Curimba é o nome que damos para o grupo responsável pelos toques e cantos sagrados dentro de um terreiro de Umbanda. São eles que percutem os atabaques (instrumentos sagrados de percussão), assim como conhecem cantos para as muitas “partes” de todo o ritual umbandista. Esses pontos cantados, junto dos toques de atabaque, são de suma importância no decorrer da gira e por isso devem ser bem fundamentados, esclarecidos e entendidos por todos nós.

Muitas são as funções que os pontos cantados têm. Primeiramente uma função ritualística, onde os pontos “marcam” todas as partes do ritual da casa. Assim temos pontos para a defumação, abertura das giras, bater cabeça, etc.

Temos também a função de ajudar na concentração dos médiuns. Os toques assim como os cantos envolvem a mente do médium, não a deixando desviar – se do propósito do trabalho espiritual. Além disso, a batida do atabaque induz o cérebro a emitir ondas cerebrais diferentes do padrão comum, facilitando o transe mediúnico. Esse processo também é muito utilizado nas culturas xamânicas do mundo afora.

Entrando na parte espiritual, os cantos, quando vibrados de coração, atuam diretamente nos chacras superiores, notavelmente o cardíaco, laríngeo e frontal, ativando – os naturalmente e melhorando a sintonia com a espiritualidade superior, assim como, os toques dos atabaques atuam nos chacras inferiores, criando condições ideais para a prática da mediunidade de incorporação.

As ondas energéticas – sonoras emitidas pela curimba, vão tomando todo o centro de Umbanda e vão dissolvendo formas – pensamento negativas, energias pesadas agregadas nas auras das pessoas, diluindo miasmas, larvas astrais, limpando e criando toda uma atmosfera psíquica com condições ideais para a realização das práticas espirituais. A curimba tranforma – se em um verdadeiro “pólo” irradiador de energia dentro do terreiro, potencializando ainda mais as vibrações dos Orixás.

Os pontos transformam – se em “orações cantadas”, ou melhor, verdadeiras determinações de magia, com um altíssimo poder de realização, pois é um fundamento sagrado e divino. Poderíamos chamar tudo isso de “magia do som” dentro da Umbanda.

A Curimba também é de suma importância para a manutenção da ordem nos trabalhos espirituais, com os seus pontos de “chamada” das linhas, “subida”, “firmeza”, “saudação”, etc. Entendam bem, os guias não são chamados pelos atabaques como muitos dizem. Todos já encontram – se no espaço físico - espiritual do terreiro antes mesmo do começo dos trabalhos. Portanto a curimba não funciona como um “telefone”, mas sim como uma sustentadora da manifestação dos guias. O que realmente invoca os guias e os Orixás são os nossos pensamentos e sentimentos positivos vibrados em vossas direções. Muitas vezes ao cantar expressamos esse sentimentos, mas é o amor aos Orixás a verdadeira invocação de Umbanda.

Falando agora da função de atabaqueiro e curimbeiro, ou simplesmente da função de “ogã” como popularmente as pessoas chamam na Umbanda, enfatizamos a importância deles serem bem preparados para exercerem tal função em um terreiro. Infelizmente ainda hoje a mentalidade de que o ogã é “qualquer um que não incorpore” persiste. Mas afirmamos, o ogã como peça fundamental dentro do ritual é também um médium intuitivo que tem como função comandar todo o “sector” da curimba. Por isso faz - se necessário que seja escolhido uma pessoa séria, estudada, conhecedora dos fundamentos da religião.

Além disso, o ideal é que o “neófito” que busca ser um novo ogã procure uma escola de curimba, onde aprenderá os fundamentos, os toques de nação e “como”, “o quê” e “quando” cantar.

Mulheres também podem ser atabaqueiras e curimbeiras, SIM! O “cargo” de ogã vem do candomblé e apenas é dado a pessoas do sexo masculino. A mulher no Candomblé não toca atabaque, por alguns dogmas da religião, principalmente em relação à menstruação. Na Umbanda não importamos dogmas e conceitos do candomblé, mas sim seguimos os nossos, passados diretamente pelos nossos guias e mentores. Nuca vimos um caboclo ou preto – velho proibindo mulher de tocar atabaque, por isso afirmamos, na Umbanda mulher toca e canta sim e, diga – se de passagem, muitas vezes melhor do que os próprios homens.

Por fim, queremos fazer alguns comentários a cerca da espiritualidade que guia os trabalhos da curimba. Muitas linhas de Umbanda existem no astral e trabalham ativamente nele, apesar de não incorporarem. Existem muitas linhas de caboclos, exus, pomba – giras, etc, que por motivos próprios trabalham nos “bastidores”, sem incorporarem ou tomarem a “linha de frente” dos trabalhos espirituais. Também existe uma corrente de espíritos que auxiliam nos toques e cantos da curimba. São mestres na música de Umbanda, verdadeiros guardiões dos mistérios do “som”. Normalmente apresentam – se com a aparência de homens e mulheres negras, com forte complexão física para os homens, e bela mas igualmente forte para as mulheres. Seus trajes variam muito, indo desde a roupagem mais simples como um “escravo” da época colonial, como até mesmo o terno e o vestido branco.

São espíritos bondosos, muito alegres e divertidos, que com o cantar encantam a muitos no astral. Alguns fazem – se presente auxiliando o toque, outros o canto e outros ainda auxiliam a manutenção da energia e sua dissipação dentro do terreiro. Muitas vezes chega a acontecer uma espécie de “incorporação” desses guias com os ogãs, os inspirando a determinados toques e cantos. Qualquer pessoa com experiência em curimba pode relatar casos aonde um ponto vem na hora que ele é necessário e depois você simplesmente o esquece. Isso acontece sobre inspiração desses mentores.

Algumas vezes também, em festas de Umbanda e dos Orixás, onde muitos se reúnem, percebemos que diversos espíritos chegam trazendo seus “tambores astrais”, percutindo – os a partir do astral, ajudando na sustentação e na energia das festividades, potencializando ainda mais os toques dos atabaques e as energias movimentadas.

Quando os Guias, incorporados fazem sua saudação à frente dos atabaques, estão saudando as pessoas que tocam, estão pedindo para que as forças movimentadas pela curimba sejam benéficas a todos, mas estão principalmente, saudando e agradecendo a toda essa corrente de trabalhadores “anônimos” do astral. Estão percebendo como muita coisa foge aos nossos sentidos em uma “simples” e humilde gira de Umbanda?

Sabemos que esse universo da curimba muitas vezes é pouco explicado, e muitos chegam a defender a abolição dos atabaques dos centros de Umbanda. A isso, os próprios guias e mentores de Umbanda respondem, tanto incentivando os toques e trazendo mentores nesse “campo” , como também, abrindo turmas de estudo de Umbanda e desenvolvimento mediúnico, onde percebemos claramente que o “animismo” acontece por despreparo do médium, falta de estudo ou orientação e não pelo uso de atabaques. Colocar a culpa nos atabaques é como “tampar o sol com a peneira”. Afinal, como explicado parágrafos acima, o atabaque quando bem utilizado é ótima ferramenta para o desenvolvimento mediúnico.

Fonte: http://paipedrodeogum.blogs.sapo.pt/8907.html

sábado, 12 de junho de 2010

Festa de Boiadeiro 2010


São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas sessões de Umbanda. Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta. Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para todos os fins. O Caboclo Boiadeiro traz o seu sangue quente do sertão, e o cheiro de carne queimada pelo sol das grandes caminhadas sempre tocando seu berrante para guiar o seu gado. Normalmente, eles fazem duas festas por ano, uma no inicio e outra no meio do ano. Eles são logo reconhecidos pela forma diferente de dançar, tem uma coreografia intricada de passos rápidos e ágeis, que mais parece um dançarino mímico, lidando bravamente com os bois.

Seu dia é quinta feira, gosta de bebida forte como por exemplo cachaça com mel de abelha, que eles chamam de meladinha, mas também bebem vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. Seu prato preferido é carne de boi com feijão tropeiro, feito com feijão de corda ou feijão cavalo. Boiadeiro também gosta muito de abóbora com farofa de torresmo. Em oferendas é sempre bom colocar um pedaço de fumo de rolo e cigarro de palha. No Terreiro os Boiadeiros vêm “descendo em seus aparelhos” como estivessem laçando seu gado, dançando, bradando, enfim, criando seu ambiente de trabalho e vibração. Com seus chicotes e laços vão quebrando as energias negativas e descarregando os médiuns, o terreiro e as pessoas da assistência. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo as portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, assim como os Exus. Alguns usam chapéus de boiadeiro, laços, jalecos de couro, calças de bombachas, e tem alguns, que até tocam berrantes em seus trabalhos. Nomes de alguns boiadeiros: Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro, Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro de Imbaúba, João Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro, Boiadeiro do Chapadão, etc … Sua saudação: Getruá Boiadeiro, Xetro Marrumbaxêtro

Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, “o caboclo sertanejo”. São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro e assim vai. Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé. Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante e sua viola cantando sempre uma modinha para sua amada, que ficava na janela do sobrado, pois os grandes donos das fazendas não permitiam a mistura de empregados com a patroa. É tal e qual se poderia presenciar do homem rude do campo. Durante o dia debaixo do calor intenso do sol ele segue, tocando a boiada, marcando seu gados e território. À noite ao voltar para casa, o churrasco com os amigos e a família, um bom papo, ponteado por um gole de aguardente e um bom palheiro, e nas festas muita alegria, nas danças e comemorações. Sofreram preconceitos, como os “sem raça”, sem definição de sua origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas, plantas e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e feitiços; e um pouco do branco: sua religião (posteriormente misturada com a do índio e a do negro) e sua língua, entre outras coisas.

Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande. O caboclo boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro – habilidoso, valente e de muita força física. Vem sempre gritando e agitando os braços como se possuísse na mão, um laço laço para laçar um novilho. Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas pastagens. Enquanto os “caboclos índios” são quase sempre sisudos e de poucas palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e conversadores. Os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da boiada (o caminho do bem).

Sobre Nossos Caboclos Boiadeiros

Os Caboclos são entidades fortes, viris. Alguns têm algumas dificuldades de se expressar em nossa língua, sendo normalmente auxiliados pelos cambonos. São sérios, mas gostam de festas e fartura. Gostam de música, cantam toadas que falam em seus bois e suas andanças por essas terras de meu Deus. Os Boiadeiros também são conhecidos como “Encantados”,pois segundo algumas lendas, eles não teriam morrido para se espiritualizarem, mas sim se encantados e transformados em entidades especiais. Os Boiadeiros também apresentam bastante diversidade de manifestações. Boiadeiro menino, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Bugre e muitos outros tipos de Boiadeiros, sendo que alguns até trabalham muito próximos aos Exus. Suas cantigas normalmente são muito alegres, tocadas num ritmo gostoso e vibrante. São grandes trabalhadores, e defendem a todos das influências negativas com muita garra e força espiritual. Possuem enorme poder espiritual e grande autoridade sobre os espíritos menos evoluídos, sendo tais espíritos subjugados por eles com muita facilidade. Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, trabalham incorporados na Umbanda, Quimbanda e Candomblé. Fazem parte da linha de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções. Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a modernidade do que os caboclos, que foram povos primitivos. Esses espíritos já conviveram em sua ultima encarnação com a invenção da roda, do ferro, das armas de fogo e com a prática dada magia na terra. Saber que boiadeiros conheceram e utilizaram essas invenções nos ajuda muito para diferenciarmos dos caboclos. São rudes nas suas incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior finalidade não é a consulta como os Pretos-velhos, nem os passes e muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o “dispersar de energia” aderida a corpos, paredes e objetos. É de extrema importância essa função pois enquanto os outros guias podem se preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha “sempre” atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de espíritos). Quando bradam altoe rápido, com tom de ordem, estão na verdade ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim “limpam” o ambiente para que a prática da caridade continue sem alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para locais próprios de doutrina. Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros ”e no descarrego e no preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes protetores, como os Exus. Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações perigosas. São verdadeiros conselheiros e castigam quem prejudica um médium que ele goste. “Gostar” para um boiadeiro, é ver no seu médium coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele “filho”. Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa. Trabalham também para Orixás, mais mesmo assim, não mudam sua finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de incorporar e falar, ou seja, um boiadeiro que trabalhe para Ogum é praticamente igual a um que trabalhe para Xangô, apenas cumprem ordens de Orixás diferentes, não absorvendo no entanto as características deles. Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos boiadeiros. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por exemplo: Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc… Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.

Fonte : http://www.assemacuritiba.com/

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Fofocas em Terreiro

Ditado pelo sr. caboclo sete estrelas


Em um determinado dia que não sei precisar fui convidado por um amigo espiritual a visitar, em três ocasiões, um templo de umbanda que me é intensamente particular.
Fui então volitando com a entidade amiga até descermos em direção ao portão de entrada do terreiro; o amigo espiritual olhou assim para mim e disse:
— Companheiro, antes de entrarmos neste templo religioso é muito importante que eu lhe explique algumas coisas, tudo bem?
— Sim senhor.
— Primeiramente acho que é desnecessário informar o fato de que a identidade deste templo deve ficar sob sigilo.
— Sim senhor.
— Peço-te anonimato apenas pelo fato deste templo religioso não ser o melhor ou o pior terreiro de umbanda existente no solo brasileiro, mas tão somente por situações extremadas que acontecem dentro dele não serem exclusivamente específicas a ele, está entendendo?
— Sim senhor
— O outro fato que desejo lhe comunicar é que esta será a primeira de uma série de três visitas que nós faremos a esta instituição religiosa.
— Verdade?
— Certamente. Penso que ao fim de nossa terceira visitação você estará preparado para deixar em escrito para seus irmãos de fé uma preciosa advertência para que possam alcançar verdadeiramente a evolução moral e espiritual nos respectivos terreiros que estes freqüentam regularmente. Peço-te respeito, fé e bastante equilíbrio tanto emocional quanto mental.
— Sim senhor, procurarei fazer o meu melhor.
— Então entremos.
E dizendo isto a entidade espiritual foi adentrando o templo, mas não sem antes fazer a saudação que todos os Srs. Caboclos fazem ao avistarem os guardiões das tronqueiras de um terreiro de umbanda. Eu também os saudei à minha forma pedindo proteção e força para os trabalhos que aconteceriam naquela noite. Na realidade eu estava achando estranho o fato de não haver uma única luz acesa no terreiro bem como a total ausência de médiuns encarnados, olhei, então, assustado para a entidade amiga e foi quando ela esclareceu-me:
— Hoje, neste terreiro, não haverá gira companheiro.
— Como?
— Se não vai haver gira você, então, quer saber por que foi trazido até aqui, não é verdade?
— Se tivesse como eu gostaria sim senhor!
— Mas eu gostaria que, primeiramente, você pudesse ver.
E dizendo isto o Sr. Caboclo depositou por alguns segundos a sua destra em minha fronte. Ao retirá-la espantei-me imediatamente porque as lâmpadas físicas do templo estavam apagadas, mas mesmo assim com a claridade que eu via no terreiro era como se elas estivessem acesas.
— Não se espante com isto companheiro, na cópia etérea deste templo as luzes realmente estão acesas.
Eu fiz uma careta de interrogação e já ia me pronunciar a respeito quando escutei, respeitosamente, sua voz a dizer-me:
— Não se preocupe com isto companheiro procure, antes, concentrar-se para enxergar aquilo que realmente importa ser visto esta noite, pois, afinal, foi para isto que coloquei minha destra em sua fronte: para clarear sua visão espiritual.
— Sim senhor. Vou seguir agora mesmo Vossa determinação.
E passado alguns segundos eu pude ver e, o que eu vi, me fez pensar que estava participando de algum filme de terror: as paredes do terreiro estavam todas recobertas por uma espécie de gosma marrom-enegrecida por onde rastejavam alguns tipos de larvas e vermes, flutuando por todo o terreiro havia uma fumaça preta e tênue e eu, já bastante assustado, exclamei:
— Meu Deus que coisa nojenta e horrível!!!
— Calma companheiro, existem coisas piores.
— Impossível, nada pode ser pior que ver isto.
— Não? Então me deixe dilatar sua percepção olfativa!
Olhei para ele com os olhos assustados e foi ai que ele mostrou o esboço de um sorriso na face e esclareceu-me prestimoso:
— Não se assuste, não há necessidade de fazê-lo sentir o cheiro terrivel de enxofre eu apenas aventei a possibilidade para que vocês, encarnados, nunca se desesperem e digam, no desespero, que uma determinada situação jamais poderá ficar pior ou melhor. Tudo e qualquer coisa sempre pode ficar pior ou melhor, só depende das escolhas que vocês façam na vida, entende?
— Sim senhor!!!
— Você está assustado com o que está vendo, não é verdade?
— Totalmente.
— Felizmente eu não posso lhe ajudar.
— Felizmente??????
— Isto. Sabe por quê?
— Não senhor.
— Você sabe que a luz afasta as trevas, certo?
— Certo.
— Mas você já viu isto alguma vez?
— Não.
— Então apenas observe.
Quando a entidade disse isto eu comecei a ver e o que eu vi e ouvi é quase indescritível: passei a escutar intensos e incontáveis assobios e bater de palmas ritmadas como se houvessem dezenas de pares de mãos invisíveis aos meus olhos, instantes depois eu comecei a sentir um forte odor de terra como se estivesse dentro de uma mata, notei então que na região central do terreiro eu passei a ver um tipo de portal na coloração laranja com a forma de um circulo abrindo lentamente e de maneira centrifuga, do interior deste portal saiam pequenos e incontáveis seres de fogo que retiraram toda a gosma da parede e que atraíram toda a fumaça para dentro do portal, após tudo isto, da mesma forma que vieram, estes seres se foram e portal fechou-se imediatamente. Não consegui segurar o assombro e disse:
— Meu Deus do céu!!!!
— O que foi companheiro?
— O senhor poderia me dizer o que foi que acabou de acontecer por aqui?
— Simples companheiro: o terreiro estava sujo e agora não está mais e é só o que devo lhe informar.
— Eu poderia saber quais foram os “lixeiros” que o auxiliaram a limpar a sujeira? Digo isto porque eu pude escutar vários bater de palmas e assobios instantes antes da limpeza, mas não pude enxergar quem estava a fazê-los.
— Olhe companheiro, agradeça a Deus por tudo que você pôde ver, pois foi tudo aquilo que o seu merecimento lhe facultou a enxergar.
Entendi o recado velado da entidade espiritual e respondi:
— Sim senhor, sempre hei de agradecê-lo, perdão pela curiosidade.
— Não há nada que perdoar companheiro a curiosidade , quando bem administrada, sempre há de ser um bem. Não se entristeça, sei da sua intensa curiosidade e lhe digo que posso esclarecer-lhe em coisas que você precisa saber em relação à noite de hoje.
— Preciso?
— Exatamente.
— Então, fique a vontade para esclarecer-me, prometo calar minha curiosidade e focar toda minha atenção para escutá-lo.
— O que vem antes do esclarecimento?
— A dúvida.
— E qual é a sua dúvida?
— Mas eu não sei o que o senhor pode responder para mim!
— Fácil, pergunte sobre a primeira dúvida que lhe ocorreu assim que entramos neste templo sagrado.
— Ah tá!!! A primeira dúvida que surgiu a minha mente foi: que gosma nojenta é esta pelas paredes?
— Esta é uma questão que posso lhe responder, mas também não seria interessante saber como ela veio parar por aqui?
— É verdade!!!
— Mas vamos por partes: primeiramente gostaria de fazer-lhe uma pergunta, posso?
— Sim senhor!!! Fique a vontade!!!
— Então companheiro diga-me qual seria a melhor forma de você prevenir-se contra uma gripe?
— Uma gripe?
— Exatamente. Por acaso a melhor forma seria afastar-se das pessoas que se encontram gripadas?
— Penso que não porque vivemos em sociedade nos relacionando constantemente com outros seres humanos com que, muitas vezes, somos forçados a conviver como vizinhos, amigos, colegas de trabalho, irmãos de fé, etc.
— Sendo assim, qual a melhor forma profilática contra a gripe?
— Penso que seria a prática regular de atividades físicas e a ingestão constante de vitamina C.
— E eu lhe digo que a resposta está correta companheiro e penso que esta sua resposta responde tua pergunta relativa à gosma negra.
— Como assim?
— Todo terreiro de umbanda é um hospital certo?
— Certo.
— E o que acontece com um hospital se ele começar a receber pacientes com moléstias altamente contagiosas e relaxar com a profilaxia em relação a estas?
— Contaminação geral.
— Perfeitamente. Então, neste terreiro onde estamos, que sei lhe é particular, estão relaxando com a profilaxia contra algumas doenças da alma.
— Doenças da alma?
— É companheiro, enfermidades morais.
— Como assim? O senhor está querendo me dizer que o corpo mediúnico desta casa de caridade não está junto para trabalhar com sinergia e evitar que as enfermidades morais da assistência causem malefícios aos médiuns?
— E quem disse a você que o vetor destas enfermidades morais é a assistência deste templo sagrado?
— Então o senhor está querendo dizer para mim que os médiuns da casa, ou seja, aqueles que deveriam auxiliar as entidades espirituais na prática da caridade contra doenças morais, são os mesmos que as estão transmitindo?
— Exatamente.
— Deus do céu, o que é isso Jesus?
— Isto não é Jesus companheiro, isto é o ser humano. Entenda que Jesus está nesta casa de caridade que faz o bem, que auxilia o próximo de forma gratuita e consistente, mas Jesus promove a luz e são a grande maioria dos médiuns deste terreiro que praticam a caridade, os mesmos que chegam a ofuscar esta luz contaminando seus irmãos de fé com a mais severa das moléstias da alma.
— E qual seria ela: o orgulho, o egoísmo, a avareza?
— Não companheiro, a mais terrível destas moléstias é aquela que se propaga mais facilmente e, assim, adoece aos médiuns com mais rapidez e profundidade: a fofoca.
— O que? Aquela gosma nojenta e aquela fumaça negra que estava presente neste terreiro quando aqui chegamos foram causadas por fofocas?
— A fofoca, a maledicência, as formas-pensamento presentes na psicosfera dos médiuns, entre outros, podem enlamear e derrubar todo e qualquer terreiro.
— Mas a fofoca me parece pouco para derrubar uma casa de caridade que promove o bem.
— Responda-me uma coisa: meia dúzia de cupins pode parecer pouco para derrubar uma casa de madeira, mas se estes seis não forem exterminados proliferarão e farão com que a bela casa um dia venha a pique, não é verdade?
— O senhor tem razão, entendi aonde quer chegar, mas porque o sacerdote deste templo não toma alguma medida de urgência para acabar com este mal de forma consistente?
— Por quê? Esta pergunta está ligada ao objetivo principal da sua segunda visitação a este terreiro. Espero o seu retorno em dois dias.
Queria ainda perguntar uma coisa ou outra, mas não teve jeito, somente dois dias depois, e era uma quarta-feira, foi que eu retornei a mesma casa de caridade e encontrei a entidade espiritual que tanta coisa me esclarecera na visitação anterior. Ele estava na porta do templo a me receber.
— Salve Tupã, nosso pai maior!!! Que bom que você pôde retornar para esta visitação, mas antes de adentrarmos o templo responda-me: qual foi mesmo o motivo de sua primeira visitação?
Pensei bastante antes de responder e me pronunciei:
— Penso que foi observar até que ponto uma terrível doença moral como a fofoca pode trazer tantos malefícios a uma casa de caridade, seja ela de qual religião for, acrescentei.
— Muito bem companheiro!!! Vejo que a primeira visitação foi bastante proveitosa para você, mas antes de observar, com fins de estudo, os acontecimentos desta noite, acho importante lhe esclarecer um motivo oculto de sua primeira visitação que está intrinsecamente ligado à visita da noite de hoje.
— Motivo oculto?
— Sim. Você sabe por que houve todo aquele ritual de limpeza energética, e etérica deste terreiro na sua primeira visitação?
— Não senhor.
— Para preparar esta casa de caridade para a reunião desta noite.
— Mas esta noite haverá reunião na casa? Por que então eu só estou vendo menos de uma dezena de médiuns dentro dela?
— Por que hoje acontecerá uma espécie de reunião especifica e fechada para certos médiuns.
— Certos médiuns?
— Sim, médiuns responsáveis pelo controle, pela administração, pelo bom andamento na parte física das reuniões religiosas deste templo.
— Na parte física?
— Sim, pois em toda reunião em qualquer casa umbandista há sempre uma parte da reunião que acontece na parte física do templo, enquanto outra acontece no plano espiritual.
— Entendo. Eu poderia saber o motivo desta reunião?
— Sim. O dirigente espiritual da casa, “incorporado” em seu médium, está juntamente com outros seis médiuns não “incorporados”, tanto para deliberar diretrizes a respeito do novo ano religioso do terreiro que está para se iniciar daqui a três dias, quanto para escutar deles informações relativas ao comportamento do corpo mediúnico dentro do terreiro no ano que se passou.Entendido?
— Sim senhor!
— Então venha que os trabalhos estão prestes a começar!!!
Atendi a determinação da entidade instantaneamente e pude observar que a reunião, de fato, iria começar naquele momento.
A entidade colocou a destra em minha fronte e, à medida que a reunião prosseguia, eu comecei a ver situações que beiram o surreal e com um fator comum em todas elas: é que em determinadas situações aparecia um tipo de névoa preta na região acima da cabeça do médium que conversava com o Sr. Preto-velho que é o dirigente espiritual daquele terreiro. Assustado, olhei ao lado e perguntei a entidade que estava a me acompanhar que névoa enegrecida era aquela e sua resposta assustou-me ainda mais:
— Fofoca.
— Como?
— Fofoca companheiro, firme sua visão na névoa negra da médium que está a conversar neste instante com o dirigente espiritual da casa e você compreenderá o que digo.
Passei a fazer o que me foi determinado e, após alguns minutos, tudo se esclareceu: a névoa negra que estava um pouco acima da cabeça da médium que estava conversando com o Sr. preto-velho em questão começou a transmitir imagens como se fosse uma espécie de televisão de dez polegadas.
Nestas imagens eu via uma outra médium contando para esta em questão uma determinada situação inverídica a respeito de um médium daquela casa.
Assustei-me novamente com o que vi e perguntei a entidade que estava a acompanhar-me:
— Mas e o Sr. Preto-velho dirigente desta casa? Por acaso ele não sabe que estão lhe passando informações que são um monte de calúnias e fofocas, sejam elas propositais ou não?
— Acontece que os médiuns não estão contando só calunias para a entidade-chefe.
— O senhor está correto, mas a cada vez que a calúnia acontece esta névoa negra surge acima da cabeça deles, será que a entidade-chefe não pode ver as calúnias e fofocas que estão lhe contando?
— A maioria delas sim, mas muitas outras não.
— Mas porque não?
— Os motivos são variados e variáveis, mas eu posso lhe falar apenas dois entre estes. O primeiro motivo reside no fato de toda entidade espiritual ser uma parte de Deus e não o próprio Deus.
— Como assim?
— Somente Deus é onisciente e, portanto, somente Ele sabe de todas as coisas.
— Entendo o que o Sr quer dizer, mas qual é o segundo motivo?
— Uma grave enfermidade moral que o sacerdote deste templo possui e que, muitas vezes, embaça o seu bom-senso. Uma enfermidade filha do ódio conhecida como rancor.
— O sacerdote é rancoroso, é isso?
— Exatamente e extremamente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
— Mas se a fofoca faz com que esta casa de caridade fique com um aspecto espiritual tão asqueroso como presenciei há dois dias e se o sacerdote dela, além de ter o extremo rancor como conselheiro, tem como fiéis “escudeiros” médiuns com a enfermidade moral da fofoca em estágio avançado isto só pode significar que esta casa de caridade está em vias de entrar em extinção, infelizmente eu estou certo?
— De forma alguma!!!
— Não?
— Não!!!
— Mas não foi o Sr. Quem disse que meia dúzia de cupins, com o tempo, podem acabar com uma casa feita totalmente de madeira?
— Isto eu realmente disse, acontece que este terreiro não é formado apenas por “médiuns-cupins”, aqui também existem “médiuns-formigas”.
— “Médiuns-formigas”?
— Sim. Aqueles médiuns simples, humildes que quase não são notados, médiuns pequeninos em vaidade e que procuram trabalhar em conjunto com vistas ao bem maior que é a caridade.
E eu, sensivelmente emocionado, respondi:
— Acho que entendo o que o senhor quer dizer.
— “Médiuns-formigas”, enfim, são aqueles que, como disse um mano meu em uma certa prece, “ estão na umbanda pela umbanda, na confiança pela razão, são também trabalhadores silenciosos cujas ferramentas chamam-se DOM e FÈ, e cujos ‘salários’ de cada noite são pagos com uma só moeda, que traduz o seu valor numa única palavra a INGRATIDÃO”.
— Estou entendendo.
— Enquanto aqui nesta casa de religião houver “médiuns-formigas” esta casa jamais cairá.
— Eu até entendo isto que o Sr. me diz, mas a enfermidade moral da fofoca está contaminando a muitos aqui neste terreiro, o Sr. não acha?
— Acho e é justamente por isso que você retornará aqui em espírito pela terceira e ultima vez daqui a três dias às dezesseis horas para participar da gira inaugural deste ano que acabou de começar, estamos entendidos?
— Sim senhor.
— Então vá na força e na luz de Tupã Todo-poderoso.
Três dias depois, em uma tarde ensolarada, lá estava eu naquela casa de caridade com a entidade amiga que me acompanhou nas duas visitações anteriores a esperar-me na porta de entrada do templo.
— É muito bom vê-lo tão disposto para desempenhar a tarefa de hoje!!!
Eu olhei um tanto receoso para ele e foi nisso que eu o ouvi dizer:
— Não precisa se preocupar companheiro, hoje você não verá gosma nojenta e nem telas mentais assustadoras.
— Não?
Perguntei eu num misto de alegria e alivio para ouvi-lo responder novamente com o esboço de um sorriso no rosto:
— Não. Sua tarefa nesta tarde também está ligada intrinsecamente com as das duas visitações anteriores e consiste em anotar textualmente, para depois deixar de amostra para seus irmãos de fé, a palestra que o Sr. Caboclo que chefia os trabalhos deste templo ministrará para todos os aqui presentes no dia de hoje.
— Sim senhor.
— Perpetue esta palestra de hoje porque ela sempre haverá de ser, na força de Tupã iluminado, um ótimo antídoto contra o veneno moral da fofoca.
— Sim senhor
— Ao término da palestra você despertará instantaneamente em cima de seu leito.
— Sim senhor.
— Que Tupã iluminado e sagrado sempre abençoe e ilumine o seu caminho!!!
— Que assim seja!!!
Foi só o que eu, intensamente agradecido, pude responder a entidade amiga antes de começar a registrar a palestra que o Sr Caboclo que chefia os trabalhos da casa estava prestes a iniciar:



“ Saravá a todos os filhos aqui presente no dia de hoje, que Tupã iluminado abençoe a presença de todos vocês nesta casa de caridade.
Este Caboclo sabe que o sol lá fora está forte, mas também sabe que O Todo Poderoso Tupã faz iluminar no coração de vocês um calor que é ainda mais forte que o do sol que é o calor da fé. Foi esta fé que trouxe vocês aqui e que esta fé possa fazê-los alcançar o que vieram buscar aqui, nesta casa de caridade, que é casa de vocês mesmos.
A palavra deste Caboclo hoje é muito curta e está relacionada com a fé de cada um.
Este Caboclo começa com uma pergunta: qual é a arma que traz mais malefícios à humanidade?”
Devo confessar que achei um tanto quanto chocante a pergunta do Sr. Caboclo, mas a assistência encarou de forma natural e a grande maioria até mesmo respondeu que era a bomba, o Sr. Caboclo,então, continuou a palestra:
“ A grande maioria de vocês respondeu que é a bomba e este Caboclo realmente fala que a bomba é uma grande ceifadora de vidas em massa. A natureza evolui, os conhecimentos de vocês evoluem e infelizmente o desejo do homem de fazer o mal parece que evolui da mesma forma por que se antes só existiam bombas atômicas hoje já existem as químicas e, pasmem, o homem brincando de Deus criou uma bomba que usa uma forma de vida para tirar outras milhões de vidas que é a bomba biológica, entretanto companheiros qualquer bomba é tão somente aquilo que já disse antes: uma grande ceifadora de vidas em massa, mas não é a arma que traz mais malefícios a humanidade porque esta arma de que falo é anterior a criação da primeira bomba e eu gostaria que vocês dissessem para mim qual é esta arma”.
Muitas pessoas na assistência deram respostas variadas, mas uma dentre elas chamou a atenção do Sr. Caboclo: o fogo. Foi ai que Ele retomou a palestra:
“ Companheiros, existem muitos alimentos que se não fossem o fogo vocês não poderiam ingerir tanto por que é ele que os amolece, quanto por que é ele que elimina formas de vida microscópicas nocivas a saúde do ser humano e só por isso que vos falo vocês já podem perceber que o fogo, em si, é um bem, uma das formas de manifestação da misericórdia de Deus que os homens tanto podem usar para fazer o bem ou fazer o mal, mas que, justamente por isto, não é a arma que traz mais malefícios a humanidade. Gostaria muito que vocês me ajudassem a descobrir qual é esta arma, entretanto devo informar que vocês só tem mais uma chance.”
A entidade palestrante esperou alguns instantes até que uma pequena maioria respondeu que são as armas de fogo, e foi a partir deste ponto que ele retomou a palestra:
“ Arma de fogo infelizmente não é a resposta correta, mas fará deduzi-los que resposta seria esta, por que este Caboclo deseja que vocês pensem nos fatores que podem fazer um ser humano apertar o gatilho de uma arma e antes que vocês comecem a imaginar que este Caboclo não está falando coisa com coisa, ele revela que a arma que traz mais malefícios ao ser humano é a própria língua dele.
O dedo do homem pode apertar o gatilho, mas só se a mente dele desejar e o que pode fazer com que a mente de um ser humano venha a querer tirar a vida de outro?
Este Caboclo fala que é a língua por que se um filho de uma raça cresce escutando falar que um outro, de outra raça, também é filho de Deus este, quando crescer, não terá motivos para tirar a vida daquele e vice-versa; se um filho cresce escutando que povos de outros paises são irmãos seus, então ele não terá motivos para querer tirar a vida de outro ser humano pelo fato dele pertencer a outro país; um homem pode ter extremo ódio de outro, mas se ele não tiver nenhuma maneira de comunicar isto a outros este ódio morre com ele, entretanto, se ele conseguir passar todo este ódio para pelo menos uma pessoa, então milhões de vidas poderão ser ceifadas como aconteceu de forma análoga no genocídio de judeus na segunda grande guerra.
A língua do homem pode ser uma arma tão terrível e perigosa que Nosso Senhor Jesus Cristo disse certa vez que o que mata o homem não é o que entra em sua boca, mas sim o que sai dela, ou seja, as palavras.
Podendo a língua de o homem ser tão maléfica por que Tupã iluminado o dotou com esta? Este Caboclo fala que foi para que o homem soubesse e aprendesse desde cedo que para tudo na vida ele tem escolhas e que estas ou levam-no para o melhor caminho, que é o da evolução junto a Tupã, ou para um outro caminho que possa atrasar sua evolução e é assim que os filhos na terra ou vão aprendendo a usar a língua para congratular-se com seus irmãos ou para ofendê-los com impropérios.
Queridos companheiros a mente humana pode criar as mais perfeitas maldades, mas só a sua língua pode coletivizá-la e o que vocês que estão tanto na frente deste Caboclo, aí na assistência, quanto os cavalinhos que estão aqui com ele estão coletivizando com seus filhos, seus irmãos, seus pais, seus parentes, seus vizinhos, seus colegas de escola, seus colegas de trabalho, seus parceiros em atividades coletivas de lazer, sua cidade, seu pais, seu mundo???
Sei que nenhum espírito humano é perfeito, a começar por este Caboclo que vos fala, mas este Caboclo espera em Tupã Nosso Pai que vocês só estejam coletivizando o amor, a fé, a justiça Divina, a lei de caridade, o conhecimento do bem, a vida e o desejo de evolução junto a Tupã iluminado, por que da mesma forma que é fácil iniciar um incêndio e difícil extingui-lo, também é bastante fácil criar uma maledicência e espalhar uma fofoca e é extremamente difícil, em uma só encarnação, apagar os efeitos nefastos que estes verdadeiros incêndios verbais causam na vida das pessoas que foram caluniadas e ofendidas.
Reflitam sobre isto companheiros e que Tupã Iluminado abençoe a todos vocês.”

fonte: http://pedrorangelsa.blogspot.com/2008/03/lies-sinceras-de-um-caboclo.html

quarta-feira, 2 de junho de 2010

LAROIÊ EXU! EXÚ É MOJUBÁ!




LAROIÊ EXU! EXÚ É MOJUBÁ!

“Exú pode ser o mais benevolente dos Orixás, se tratado com consideração e generosidade”

Exu é entidade de luz (em evolução) com profundo conhecimento das leis magísticas e de todos os caminhos e trilhas do Astral Inferior.

Não tem nada a ver com as imagens vendidas nas casas de artigos religiosos, com chifrinhos e rabos... Exu não é o Diabo.

São os guardiões, são os espíritos responsáveis pela disciplina e pela ordem no ambiente.

São trabalhadores que se fazem respeitar pelo caráter forte e pelas vibrações que emitem naturalmente. Eles se encontram em tarefa de auxílio. Conhecem profundamente certas regiões do submundo astral e são temidos pela sua rigidez e disciplina.

Formam, por assim dizer, a nossa força de defesa, pois vocês não ignoram que lidamos, em um número imenso de vezes, com entidades perversas, espíritos de baixa vibração e verdadeiros marginais do mundo astral, que só reconhecem a força das vibrações elementares, de um magnetismo vigoroso, e personalidade forte que se impõem. Essa, a atividade dos guardiões. Sem eles, talvez, as cidades estivessem à mercê de tropas de espíritos vândalos ou nossas atividades estivessem seriamente comprometidas. São respeitados e trabalham à sua maneira para auxiliar quanto possam. São temidos no submundo astral, porque se especializaram na manutenção da disciplina por várias e várias encarnações.

Muitos do próprio culto confundem os Exus com outra classe de espíritos, que se manifestam à revelia em terreiros descompromissados com o bem.

Na Umbanda a caridade é lei maior, e esses espíritos, com aspectos mais bizarros, que se manifestam em médiuns são, na verdade, outra classe de entidades, espíritos marginalizados por seu comportamento ante a vida, verdadeiros bandos de obsessores, de vadios, que vagam sem rumo nos sub-planos astrais e que são, muitas vezes, utilizados por outras inteligências, servindo a propósitos menos dignos. Além disso, encontram médiuns irresponsáveis que se sintonizam com seus propósitos inconfessáveis e passam a sugar as energias desses médiuns e de seus consulentes, exigindo “trabalhos”, matanças de animais e outras formas de satisfazerem sua sede de energia vital.

Musicas de Umbanda

MAPA DE COMO CHEGAR A COMUNIDADE DE UMBANDA

Indicação de Livros Umbandistas

Indicação de Livros Umbandistas
Sandro da Costa Mattos

Obrigação a Oxum e Batizado 2009