sexta-feira, 3 de julho de 2009

O Outro





Por Juvenal Arduini

Estamos sempre com o “outro”.

E o outro é pessoa.

O outro contém certa magia, ao mesmo tempo sedutor e enigmático.

O outro é plural, apresenta múltiplos rostos.

Pode encantar ou desencantar.

Refletir sobre o outro é apaixonante e interminável.

Mas é preciso evitar que o outro seja reduzido a um termo genérico e neutro.

O “outro” ocluso é hermético, indecifrável e, mesmo quando fala, procura esconder-se.

É desconhecido, distante, estranho, participante de universo cultural inabitual.

O “outro” ameaçador inspira desconfiança, espalha medo e sugere risco.

O “outro” prepotente esmaga os subalternos e espolia o sangue dos mais fracos.

O “outro” vio­lento é agressivo, revela atitude hostil e ação destrutiva. E tende a eliminar os desafetos.

O “outro” egocêntrico encastela-se em seus próprios interesses e não enxerga o sofrimento injusto dos que padecem necessidade.

O “outro” constrangedor coage a liberdade e bloqueia a comunicação.

Sartre analisa o olhar do Outro que inibe decisões e tranca pessoas na incomuni­cabilidade.

O “outro” rejeitado é discriminado, é excluído do emprego, da cultura, da saúde e da cidadania.

É o outro envergonhado.

O “outro” insensível não se abala perante os assassinatos, a fome, o desemprego, as crianças prostituídas.

O “outro” traiçoeiro derruba parceiros e abandona os aliados de ontem.

O “outro” cínico engana a sociedade, mas jura publicamente que está a favor do povo.

O “outro” diferente é original, inédito e revitaliza a comunidade com valores sólidos e com propostas fecundas.

O “outro” companheiro ca­minha conosco por estradas planas ou esbura­cadas.

E acompanha-nos sem ter marcado encon­tro, diz Aldo Gargani.

O “outro solidário” é a pessoa com quem se pode contar nas horas de alegria e também de angústia e desespero.

O “outro” aliado assume as causas legítimas daqueles que lutam para que a justiça alicerce a nova sociedade em estrutura igualitária.

O “outro” movido pela espe­rança avança sempre, sem jamais desistir ou re­cuar.

O “outro” audacioso suscita coragem, remove barreiras e limpa o horizonte embaçado por temores.

O “outro” emancipatório descativa pessoas aprisionadas por tantas formas de servidão.

O “Outro” honesto não se vende a barga­nhistas nem se deixa enlamear por tramas corrup­tas.

O “outro” autêntico é reserva de humanismo e compromete-se radicalmente com a dignidade humana.

O “outro” dialogal fundamenta a inter­subje­tividade.

O “outro” fraterno é habitado pela caridade transparente, como diz Levinas, e não se acumplicia com práticas anti-sociais.

O “outro” interpelador acorda consciências anestesiadas para que definam o rumo de seu futuro.

O “outro” evangélico é capaz de sacrificar-se para que outros sofram menos e tenham o necessário para sobreviver.

Não podemos esquecer que também cada um de nós é um “outro” para os outros.

E poderíamos perguntar-nos que espécie de “outro” temos sido para os demais outros.

Ser “outro” é responsa­bilidade.

ARDUINI, Juvenal. Antropologia: ousar para reinventar a humanidade. São Paulo: Paulus, 2002.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

PERGUNTAS E RESPOSTAS NA UMBANDA




Dona Zilméia de Moraes, filha de Zélio de Moraes, aos 94 anos, 2009.

PERGUNTAS E RESPOSTAS DE UMBANDA
POR Norberto Peixoto
FONTE: LIVRO A MISSÃO DA UMBANDA
ED. CONHECIMENTO
CURSO GRATUITO EM PORTO ALEGRE – RS
1) Por que as entidades de umbanda usam o fumo?
As folhas da planta chamada ” fumo” absorvem e comprimem em grande quantidade o prana vital enquanto estão em crescimento, cujo poder magnético é liberado através das golfadas de fumaça dadas pelo cachimbo ou charutos usados pelas entidades. Essa fumaça libera princípios ativos altamente benfeitores, desagregando as partículas densas do ambiente.

2) Por que as entidades usam ervas verdes?

Por que cada erva ( principalmente a arruda, o alecrim, a sálvia, o guiné, mangericão e a espada de Ogum) possuem agregados em sua vitalidade elementos astromagnéticos que desmagnetizam e desintegram elementos etéricos densos e negativos presentes na aura dos consulentes.

3) Por que se usa a queima de pólvora ou ” fundanga”?

Quando queimados os grânulos de pólvora explodem causando intenso deslocamento molecular do ar e do éter, desintegrando miasmas, placas, morbos psíquicos, ovóides astrais, aparelhos parasitas e outros recursos maléficos como campos de força densificados com matéria astral negativa, os quais não foram possíveis de ser desativados pela força mental dos Guias do espaço e o fluido ectoplasmático dos aparelhos mediunizados.

4) Por que dos pés descalços na umbanda?

Nos atendimentos os médiuns tornam-se os “para-raios” de muitas energias densas deixadas pelos socorridos. Somos fonte condutora de correntes elétricas e pelos pés descarregamos nosso excesso negativo. Solas emborrachadas bloqueiam esse fluxo.

5) Por que do uso de bebidas alcóolicas nos trabalhos de Umbanda?

Não há necessidade de ingestão de bebidas, mas seu uso externo se faz porque o álcool volatiza-se rápidamente, servindo como condensador energético para desintegrar miasmas pesados que ficam impregnados nas auras dos consulentes além de agir como elemento volátil de assepsia do ambiente.

6) Por que dos pontos cantados?

Os diversos pontos cantados na Umbanda estabelecem condições propícias para que os pensamentos dos espíritos se enfeixem nas ondas mentais dos médiuns. Cada vibração peculiar a um Orixá tem particularidades de cor, som, comprimentos e oscilação de ondas que permitem sua percepção pelos sensitivos da Umbanda. Uma vibração sonora específica cantado em conjunto, sustenta a egrégora para que os espíritos da linha correspondente ao Orixá se aproximem, criando e movimentando no éter e no astral formas e condensações energéticas símiles aos sítios vibracionais da natureza que “assentam” as energias, como se nelas estivessem presentes.

7) Porque a Umbanda não faz milagres?

Porque religião nenhuma o faz. Porque o milagre está dentro de você, meu irmão e se faz à medida que muda as tuas atitudes, reformula teus pensamentos e põe em prática tua fé no Criador. Se alguém te prometer o milagre, fuja! Ali está um caloteiro tentando te enganar.


Frei Gabriel Malagrida, uma das encarnações do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

MINHA TRONQUEIRA




Minha Tronqueira

Minha Tronqueira tem axé, tem vontade e tem vida, tem Exú e Pombagira para guardar e proteger. Também tem Exú Mirim para aprontar e desenrolar.
Minha tronqueira tem axé, tem vela tem marafo, tem dendê e aguardente.
Minha tronqueira tem axé, sem porta e sem janela, dizem que alguém ta procurando, morador pra morar nela.
Minha tronqueira tem Guardião, que guarda de noite e protege de dia e quem guarda e protege também eu chamo de vigia.
Minha tronqueira tem axé, não tem nome e não tem foto, tem o nome que ela guarda e o meu corpo que ela cobre.
Minha tronqueira tem axé, tem caldeirão e alçapão, tem escada, tem ponteira é morada de Porteira.
Minha tronqueira tem axé, tem abismo e escuridão é passagem pra quem desce e alivio pra quem sobe.
Minha tronqueira tem axé, tem relógio tem sino, quando da a meia noite é sinal que ta abrindo.
Minha tronqueira tem axé, tem chicote tem espada, tem punhal e bracelete, tem capuz e tem mortalha, tem arma pra combater, uns dizem pra bater outros para aprender.
Minha tronqueira tem axé, tem chave e cadeado, tem ferradura tem bigorna, onde o aço forja, corta e trinca.
Minha tronqueira tem axé, tem Caveira tem Porteira, tem Capa e Tranca Ruas, tem Padilha e Rosa Negra.
Minha tronqueira tem axé, tem suor e tem lágrima, suor de quem trabalha e lágrima de quem não escapa.
Minha tronqueira tem axé, tem hora de apanhar e tem hora de bater, batendo ou apanhando tem Exú a me valer.
Minha tronqueira tem axé, tem Curador pra me curar e Exu do Ouro para prosperar.
Minha tronqueira tem axé, tem pimenta malagueta, tem fogo tem fogueira, tem brasa tem braseiro.
Minha tronqueira tem axé, não tem corte, mas tem morte, mata de mansinho bem devagarzinho, mata o vicio e as trevas que habitam o caminho.
Minha tronqueira tem axé, tem entrada tem saída, tem salve e saravá e por aqui eu vou ficar.
Salve todas as Tronqueiras deste Brasil!
Laro-yê

LIBERDADE RELIGIOSA




O Estado Brasileiro é laico. Isso significa que ele não deve ter, e não tem religião. Tem, sim, o dever de garantir a liberdade religiosa. Diz o artigo 5o, inciso VI, da Constituição: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais da humanidade, como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da qual somos signatários.
A pluralidade, construída por várias raças, culturas, religiões, permite que todos sejam iguais, cada um com suas diferenças. É o que faz do Brasil, Brasil. Certamente, deveríamos, pela diversidade de nossa origem, pela convivência entre os diferentes, servir de exemplo para o mundo. No Brasil de hoje, a intolerância religiosa não produz guerras, nem matanças.
Entretanto, muitas vezes, o preconceito existe e se manifesta pela humilhação imposta àquele que é “diferente”. Outras vezes o preconceito se manifesta pela violência. No momento em que alguém é humilhado, discriminado, agredido devido à sua cor ou à sua crença, ele tem seus direitos constitucionais, seus direitos humanos violados; este alguém é vítima de um crime – e o Código Penal Brasileiro prevê punição para os criminosos.
Invadir terreiros de umbanda e candomblé, que, além de locais sagrados de culto, são também guardiães da memória de povos arrancados da África e escravizados no Brasil; desrespeitar a espiritualidade dos povos indígenas, ou tentar impor a eles a visão de que sua religião é falsa; agredir os ciganos devido à sua etnia ou crença, mesmo motivo que os levou ao quase extermínio na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial: tudo isto é intolerância, é discriminação contra religiões. É o contrário do que pretende o Programa Nacional dos Direitos Humanos.
O Programa Nacional dos Direitos Humanos pretende incentivar o diálogo entre os movimentos religiosos, para a construção de uma sociedade verdadeiramente pluralista, com base no reconhecimento e no respeito às diferenças.
A presente cartilha, Diversidade Religiosa e Direitos Humanos, é o resultado de quase um ano e meio de um trabalho que contou com a participação de várias religiões, e que não se esgota aqui (outras colaborações podem ser conferidas no site (www.presidencia.gov.br/sedh). Esta cartilha é a continuidade das muitas ações de homens e mulheres de boa vontade e diferentes crenças, que, com suas palavras e seus atos, pretendem construir um país, um mundo melhor. Um país e um mundo em que ninguém sofra ou pratique injustiça contra seu semelhante. Um mundo e um país de todos.

Ministro Nilmário Miranda
(Secretaria Especial dos Direitos Humanos)
ASSUNTO POSTADO POR PAI ANTONIO D'OGUM ( LISTA SARAVA UMBANDA)

Musicas de Umbanda

MAPA DE COMO CHEGAR A COMUNIDADE DE UMBANDA

Indicação de Livros Umbandistas

Indicação de Livros Umbandistas
Sandro da Costa Mattos

Obrigação a Oxum e Batizado 2009